Sinais de sepse: como identificar e o que fazer enquanto aguarda socorro
A sepse, conhecida como infecção generalizada, é uma emergência médica com altíssimo risco de vida. Descubra os sinais, as diferenças entre sepse e choque séptico e as causas mais comuns.
A sepse está associada a aproximadamente 11 milhões de mortes por ano em todo o mundo, representando cerca de 20% de todas as mortes globais. Embora possa afetar indivíduos de qualquer idade, a doença apresenta maior impacto nos extremos da vida, especialmente em crianças menores de 5 anos e idosos. Globalmente, quase metade dos casos de sepse ocorre em crianças menores de 5 anos.
Outros dados mostram que reconhecer os sinais precoces e agir rapidamente é fundamental para aumentar as chances de recuperação e reduzir complicações graves.
No Brasil, estima-se que cerca de 400 mil adultos desenvolvam sepse anualmente. Desses casos, aproximadamente 240 mil evoluem para óbito, o equivalente a uma taxa de mortalidade de 60%. Entre crianças e adolescentes, são registrados cerca de 42 mil casos por ano, com aproximadamente 8 mil mortes, segundo dados divulgados pelo Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS).
O que é sepse?
Resumidamente, a sepse é um conjunto de manifestações graves causadas por uma infecção e por uma resposta desregulada do organismo, podendo levar a lesões em tecidos, à falência de órgãos e à morte.
Por isso, trata-se de uma emergência médica, que pode evoluir em poucas horas e colocar a vida em risco.
Apesar de ser popularmente conhecida como infecção generalizada, a sepse não significa necessariamente que a infecção tenha se espalhado por todo o corpo. Em muitos casos, ela permanece localizada em um único órgão. O grande problema é que o organismo passa a reagir de forma intensa e desregulada à presença do agente infeccioso.
Essa resposta inflamatória pode comprometer o funcionamento de órgãos importantes, como rins, pulmões, coração e cérebro, levando à falência múltipla de órgãos.
Quais são os fatores de risco para a sepse?
- Idade: recém-nascidos e idosos têm sistemas imunológicos mais fragilizados, por isso, têm maior risco.
- Vacinação incompleta ou ausente: a falta de imunização contra doenças como pneumococo, meningococo, influenza e outras infecções preveníveis por vacinas aumenta o risco de infecções graves que podem evoluir para sepse.
- Doenças crônicas: diabetes, doenças pulmonares e insuficiência renal são exemplos de condições que comprometem o sistema imunológico.
- Internações recentes ou frequentes: especialmente em unidades de terapia intensiva, onde há maior exposição a microrganismos potencialmente resistentes.
- Uso de dispositivos invasivos: cateteres, sondas e ventiladores mecânicos podem ser portas de entrada para microrganismos causadores de infecções.
- Imunossupressão: pacientes em tratamento quimioterápico ou com doenças autoimunes têm risco maior.
- Infecções recorrentes: o uso frequente de antibióticos pode levar à seleção de microrganismos resistentes, aumentando a gravidade das infecções.
- Desnutrição ou fragilidade: condições que comprometem a capacidade do organismo de responder adequadamente às infecções.
Quais são os sinais de sepse?
Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e os guias da Sepsis Alliance, os principais sinais de alerta são:
- febre alta (acima de 38 °C) ou temperatura baixa (menor que 36 °C);
- respiração acelerada ou dificuldade para respirar;
- batimentos cardíacos acelerados;
- tremores intensos;
- sonolência excessiva;
- confusão mental ou fala arrastada;
- queda súbita da pressão arterial;
- não urinar o dia todo ou urinar muito pouco nas últimas 18 horas;
- pele, lábios ou língua azuis, pálidos, cinzentos ou manchados — em peles retintas, verificar as palmas das mãos e as solas dos pés;
- dor muscular intensa ou sensação de mal-estar extremo.
Os sintomas de sepse podem ser mais difíceis de notar em bebês e crianças pequenas, pessoas com demência, deficiência de aprendizagem e com dificuldade de se comunicar.
O que fazer ao suspeitar de sepse em casa?
Ao perceber sinais de alerta, o mais importante é agir rapidamente.
- Acione imediatamente a equipe responsável pelo paciente ou os serviços de urgência — para pacientes Home Doctor, a própria Central de Urgências e Emergências, que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana;
- informe quais sintomas começaram primeiro e há quanto tempo;
- avise se o paciente usa sonda, cateter, oxigênio ou outros dispositivos;
- informe diagnósticos prévios, cirurgias recentes e infecções em tratamento;
- mantenha o paciente em local ventilado e confortável;
- observe alterações na consciência e na respiração;
- separe exames, receitas e lista de medicamentos.
O que não fazer:
- não oferecer alimentos se o paciente estiver sonolento ou confuso;
- não medicar por conta própria;
- não esperar “melhorar sozinho”;
- não atrasar o acionamento da equipe diante de piora rápida.
Sepse e choque séptico são a mesma coisa?
Não. O choque séptico é a forma mais grave da sepse.
Ele acontece quando a infecção e a resposta inflamatória provocam uma queda crítica da pressão arterial, comprometendo a circulação de sangue e oxigênio para órgãos vitais. Assim, mesmo com hidratação nas veias, o organismo pode não conseguir manter o funcionamento desses órgãos.
A sepse pode evoluir para choque séptico em poucas horas. Por isso, qualquer suspeita precisa de avaliação médica rápida, tratamento com antibióticos e monitoramento contínuo.
Em Home Care, quais tipos de sepse são mais observados?
Pacientes em Atenção Domiciliar costumam apresentar doenças crônicas, uso de dispositivos invasivos e histórico de internações frequentes. Tudo isso aumenta o risco de sepse e exige atenção constante aos sinais de piora clínica.
Segundo Jefferson Mizutani, responsável pela Central de Urgências e Emergências da Home Doctor, os principais pedidos de ajuda relacionados à suspeita de sepse no atendimento domiciliar envolvem:
sepse por foco urinário;
sepse por foco cutâneo;
sepse por foco respiratório (principal foco em crianças);
sepse relacionada a complicações pós-operatórias.
Sepse urinária
Fatores como baixa ingestão de líquidos, mobilidade reduzida, uso de fraldas, sondas e doenças crônicas aumentam o risco de uma infecção urinária, assim como seu agravamento para uma sepse.
Idosos muitas vezes não apresentam os sintomas clássicos. Em vez de dor ou ardência ao urinar, podem apresentar:
- urina escura, turva ou com odor forte;
- redução da quantidade de urina;
- confusão mental súbita;
- febre;
- sonolência;
- dor abdominal ou lombar;
- fraqueza intensa.
Sepse por feridas e infecções na pele
Aberturas na pele provocadas por cortes, arranhões, queimaduras, picadas de insetos ou lesões por pressão (escaras) servem como porta de entrada para bactérias — mais comumente os estreptococos do grupo A.
Esse processo desencadeia a celulite, uma infecção que atinge a pele e o tecido abaixo dela e que, se não tratada com antibióticos, pode provocar sepse.
Os principais sinais de alerta incluem:
- dor no local inflamado;
- vermelhidão;
- inchaço;
- saída de secreção;
- surgimento de bolhas;
- ondulações, apresentando um “aspecto de casca de laranja”;
- pele quente ao redor da lesão;
- febre e mal-estar.
Sepse por foco respiratório
Como o nome indica, a porta de entrada para essa sepse são infecções do trato respiratório, principalmente pneumonia e Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo Pediátrica (SDRAP, ou PARDS, a sigla em inglês).
A maior incidência é em menores de 5 anos — respondendo por 40% dos casos em um estudo global multicêntrico —, mas a faixa etária mais afetada se estende a menores de 19 anos, de acordo com estudos publicados nos jornais científicos American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine e The Lancet.
Ao contrário das outras, é mais difícil reconhecer sepses por foco respiratório porque os sintomas isolados não são muito específicos. Estão entre eles:
- tosse;
- febre;
- taquipneia (respiração acelerada e superficial);
- dispineia (dificuldade para respirar);
- taquicardia;
- hipoxemia (queda do nível de oxigênio no sangue arterial).
A atenção deve ser redobrada em pacientes com diabetes, obesidade, sistema imunológico comprometido (por quimioterapia, por exemplo), histórico prévio de celulite, linfedema (braço ou perna inchados, em que a pele esticada pode rachar) ou condições como eczema e herpes-zóster.
Sepse após cirurgia: quando desconfiar?
A infecção pós-cirúrgica que evolui para a sepse pode ter origem diretamente na incisão da pele ou se desenvolver de forma sistêmica após o procedimento.
Na região da cicatriz cirúrgica, os principais sinais são:
- vermelhidão;
- saída de secreção;
- pele quente ao redor dos pontos;
- aumento progressivo da dor no local cirúrgico.
Além da infecção na região da cirurgia, o paciente também pode apresentar sinais gerais, como febre, sonolência e piora rápida do quadro clínico.
Infecções respiratórias, como pneumonia, também podem surgir após cirurgias, principalmente em pacientes que permanecem muito tempo acamados ou utilizaram ventilação mecânica. Já o uso de cateter urinário durante a internação aumenta o risco de infecção urinária no pós-operatório.
É possível prevenir a sepse?
Nem toda sepse pode ser evitada. Mas algumas medidas ajudam a reduzir o risco de infecções que podem evoluir para quadros graves, especialmente em idosos e pacientes mais vulneráveis.
Entre os principais cuidados na prevenção da sepse estão:
- higienizar as mãos de pacientes e cuidadores corretamente;
- cuidar adequadamente de sondas, cateteres e curativos;
- incentivar o paciente a manter boa ingestão de líquidos;
- observar mudanças repentinas no comportamento ou no estado geral do paciente;
- não negligenciar sinais de infecção, como febre, secreções ou feridas;
- acompanhar corretamente tratamentos prescritos;
- manter a vacinação em dia.
Quanto mais cedo uma infecção é identificada e tratada, menor o risco de evolução para sepse.
Como a Home Doctor atua em casos de sepse?
As infecções em Home Care são menos frequentes e menos graves do que as contraídas em ambiente hospitalar, e esta é uma das inúmeras vantagens da Atenção Domiciliar.
A Home Doctor mantém protocolos específicos para reconhecimento precoce da sepse no ambiente domiciliar, com treinamento das equipes assistenciais e acionamento rápido da Central de Urgências e Emergências diante de qualquer suspeita.
O monitoramento contínuo e a orientação às famílias fazem parte da rotina do cuidado — principalmente entre idosos, pacientes frágeis, em recuperação pós-operatória ou com doenças crônicas.
Com mais de 30 anos de experiência em Atenção Domiciliar, a Home Doctor acompanha diariamente casos com maior risco de complicações infecciosas, atuando de forma integrada para garantir mais segurança no conforto do lar.


