Sinais de sepse: como identificar e o que fazer enquanto aguarda socorro

A sepse, conhecida como infecção generalizada, é uma emergência médica com altíssimo risco de vida. Descubra os sinais, as diferenças entre sepse e choque séptico e as causas mais comuns.

26 de dezembro de 2024
20 de julho de 2026
Home Doctor
11 minutos para ler
Descubra como identificar um paciente com sepse​ no Home Care de modo precoce

A sepse está associada a aproximadamente 11 milhões de mortes por ano em todo o mundo, representando cerca de 20% de todas as mortes globais. Embora possa afetar indivíduos de qualquer idade, a doença apresenta maior impacto nos extremos da vida, especialmente em crianças menores de 5 anos e idosos. Globalmente, quase metade dos casos de sepse ocorre em crianças menores de 5 anos.

Outros dados mostram que reconhecer os sinais precoces e agir rapidamente é fundamental para aumentar as chances de recuperação e reduzir complicações graves.

No Brasil, estima-se que cerca de 400 mil adultos desenvolvam sepse anualmente. Desses casos, aproximadamente 240 mil evoluem para óbito, o equivalente a uma taxa de mortalidade de 60%. Entre crianças e adolescentes, são registrados cerca de 42 mil casos por ano, com aproximadamente 8 mil mortes, segundo dados divulgados pelo Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS).

O que é sepse?

Resumidamente, a sepse é um conjunto de manifestações graves causadas por uma infecção e por uma resposta desregulada do organismo, podendo levar a lesões em tecidos, à falência de órgãos e à morte.

Por isso, trata-se de uma emergência médica, que pode evoluir em poucas horas e colocar a vida em risco.

Apesar de ser popularmente conhecida como infecção generalizada, a sepse não significa necessariamente que a infecção tenha se espalhado por todo o corpo. Em muitos casos, ela permanece localizada em um único órgão. O grande problema é que o organismo passa a reagir de forma intensa e desregulada à presença do agente infeccioso.

Essa resposta inflamatória pode comprometer o funcionamento de órgãos importantes, como rins, pulmões, coração e cérebro, levando à falência múltipla de órgãos.

Quais são os fatores de risco para a sepse?

  • Idade: recém-nascidos e idosos têm sistemas imunológicos mais fragilizados, por isso, têm maior risco.
  • Vacinação incompleta ou ausente: a falta de imunização contra doenças como pneumococo, meningococo, influenza e outras infecções preveníveis por vacinas aumenta o risco de infecções graves que podem evoluir para sepse.
  • Doenças crônicas: diabetes, doenças pulmonares e insuficiência renal são exemplos de condições que comprometem o sistema imunológico.
  • Internações recentes ou frequentes: especialmente em unidades de terapia intensiva, onde há maior exposição a microrganismos potencialmente resistentes.
  • Uso de dispositivos invasivos: cateteres, sondas e ventiladores mecânicos podem ser portas de entrada para microrganismos causadores de infecções.
  • Imunossupressão: pacientes em tratamento quimioterápico ou com doenças autoimunes têm risco maior.
  • Infecções recorrentes: o uso frequente de antibióticos pode levar à seleção de microrganismos resistentes, aumentando a gravidade das infecções.
  • Desnutrição ou fragilidade: condições que comprometem a capacidade do organismo de responder adequadamente às infecções.

Quais são os sinais de sepse?

Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e os guias da Sepsis Alliance, os principais sinais de alerta são:

  • febre alta (acima de 38 °C) ou temperatura baixa (menor que 36 °C);
  • respiração acelerada ou dificuldade para respirar;
  • batimentos cardíacos acelerados;
  • tremores intensos;
  • sonolência excessiva;
  • confusão mental ou fala arrastada;
  • queda súbita da pressão arterial;
  • não urinar o dia todo ou urinar muito pouco nas últimas 18 horas;
  • pele, lábios ou língua azuis, pálidos, cinzentos ou manchados — em peles retintas, verificar as palmas das mãos e as solas dos pés;
  • dor muscular intensa ou sensação de mal-estar extremo.

Os sintomas de sepse podem ser mais difíceis de notar em bebês e crianças pequenas, pessoas com demência, deficiência de aprendizagem e com dificuldade de se comunicar.

O que fazer ao suspeitar de sepse em casa?

Ao perceber sinais de alerta, o mais importante é agir rapidamente.

  • Acione imediatamente a equipe responsável pelo paciente ou os serviços de urgência — para pacientes Home Doctor, a própria Central de Urgências e Emergências, que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana;
  • informe quais sintomas começaram primeiro e há quanto tempo;
  • avise se o paciente usa sonda, cateter, oxigênio ou outros dispositivos;
  • informe diagnósticos prévios, cirurgias recentes e infecções em tratamento;
  • mantenha o paciente em local ventilado e confortável;
  • observe alterações na consciência e na respiração;
  • separe exames, receitas e lista de medicamentos.

O que não fazer:

  • não oferecer alimentos se o paciente estiver sonolento ou confuso;
  • não medicar por conta própria;
  • não esperar “melhorar sozinho”;
  • não atrasar o acionamento da equipe diante de piora rápida.

Sepse e choque séptico são a mesma coisa?

Não. O choque séptico é a forma mais grave da sepse.

Ele acontece quando a infecção e a resposta inflamatória provocam uma queda crítica da pressão arterial, comprometendo a circulação de sangue e oxigênio para órgãos vitais. Assim, mesmo com hidratação nas veias, o organismo pode não conseguir manter o funcionamento desses órgãos.

A sepse pode evoluir para choque séptico em poucas horas. Por isso, qualquer suspeita precisa de avaliação médica rápida, tratamento com antibióticos e monitoramento contínuo.

Em Home Care, quais tipos de sepse são mais observados?

Pacientes em Atenção Domiciliar costumam apresentar doenças crônicas, uso de dispositivos invasivos e histórico de internações frequentes. Tudo isso aumenta o risco de sepse e exige atenção constante aos sinais de piora clínica.

Segundo Jefferson Mizutani, responsável pela Central de Urgências e Emergências da Home Doctor, os principais pedidos de ajuda relacionados à suspeita de sepse no atendimento domiciliar envolvem:

sepse por foco urinário;

sepse por foco cutâneo;

sepse por foco respiratório (principal foco em crianças);

sepse relacionada a complicações pós-operatórias.

Sepse urinária

Fatores como baixa ingestão de líquidos, mobilidade reduzida, uso de fraldas, sondas e doenças crônicas aumentam o risco de uma infecção urinária, assim como seu agravamento para uma sepse.

Idosos muitas vezes não apresentam os sintomas clássicos. Em vez de dor ou ardência ao urinar, podem apresentar:

  • urina escura, turva ou com odor forte;
  • redução da quantidade de urina;
  • confusão mental súbita;
  • febre;
  • sonolência;
  • dor abdominal ou lombar;
  • fraqueza intensa.

Sepse por feridas e infecções na pele

Aberturas na pele provocadas por cortes, arranhões, queimaduras, picadas de insetos ou lesões por pressão (escaras) servem como porta de entrada para bactérias — mais comumente os estreptococos do grupo A.

Esse processo desencadeia a celulite, uma infecção que atinge a pele e o tecido abaixo dela e que, se não tratada com antibióticos, pode provocar sepse.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • dor no local inflamado;
  • vermelhidão;
  • inchaço;
  • saída de secreção;
  • surgimento de bolhas;
  • ondulações, apresentando um “aspecto de casca de laranja”;
  • pele quente ao redor da lesão;
  • febre e mal-estar.

Sepse por foco respiratório

Como o nome indica, a porta de entrada para essa sepse são infecções do trato respiratório, principalmente pneumonia e Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo Pediátrica (SDRAP, ou PARDS, a sigla em inglês).

A maior incidência é em menores de 5 anos — respondendo por 40% dos casos em um estudo global multicêntrico —, mas a faixa etária mais afetada se estende a menores de 19 anos, de acordo com estudos publicados nos jornais científicos American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine e The Lancet.

Ao contrário das outras, é mais difícil reconhecer sepses por foco respiratório porque os sintomas isolados não são muito específicos. Estão entre eles:

  • tosse;
  • febre;
  • taquipneia (respiração acelerada e superficial);
  • dispineia (dificuldade para respirar);
  • taquicardia;
  • hipoxemia (queda do nível de oxigênio no sangue arterial).

A atenção deve ser redobrada em pacientes com diabetes, obesidade, sistema imunológico comprometido (por quimioterapia, por exemplo), histórico prévio de celulite, linfedema (braço ou perna inchados, em que a pele esticada pode rachar) ou condições como eczema e herpes-zóster.

Sepse após cirurgia: quando desconfiar?

A infecção pós-cirúrgica que evolui para a sepse pode ter origem diretamente na incisão da pele ou se desenvolver de forma sistêmica após o procedimento.

Na região da cicatriz cirúrgica, os principais sinais são:

  • vermelhidão;
  • saída de secreção;
  • pele quente ao redor dos pontos;
  • aumento progressivo da dor no local cirúrgico.

Além da infecção na região da cirurgia, o paciente também pode apresentar sinais gerais, como febre, sonolência e piora rápida do quadro clínico.

Infecções respiratórias, como pneumonia, também podem surgir após cirurgias, principalmente em pacientes que permanecem muito tempo acamados ou utilizaram ventilação mecânica. Já o uso de cateter urinário durante a internação aumenta o risco de infecção urinária no pós-operatório.

É possível prevenir a sepse?

Nem toda sepse pode ser evitada. Mas algumas medidas ajudam a reduzir o risco de infecções que podem evoluir para quadros graves, especialmente em idosos e pacientes mais vulneráveis.

Entre os principais cuidados na prevenção da sepse estão:

  • higienizar as mãos de pacientes e cuidadores corretamente;
  • cuidar adequadamente de sondas, cateteres e curativos;
  • incentivar o paciente a manter boa ingestão de líquidos;
  • observar mudanças repentinas no comportamento ou no estado geral do paciente;
  • não negligenciar sinais de infecção, como febre, secreções ou feridas;
  • acompanhar corretamente tratamentos prescritos;
  • manter a vacinação em dia.

Quanto mais cedo uma infecção é identificada e tratada, menor o risco de evolução para sepse.

Como a Home Doctor atua em casos de sepse?

As infecções em Home Care são menos frequentes e menos graves do que as contraídas em ambiente hospitalar, e esta é uma das inúmeras vantagens da Atenção Domiciliar.

A Home Doctor mantém protocolos específicos para reconhecimento precoce da sepse no ambiente domiciliar, com treinamento das equipes assistenciais e acionamento rápido da Central de Urgências e Emergências diante de qualquer suspeita.

O monitoramento contínuo e a orientação às famílias fazem parte da rotina do cuidado — principalmente entre idosos, pacientes frágeis, em recuperação pós-operatória ou com doenças crônicas.

Com mais de 30 anos de experiência em Atenção Domiciliar, a Home Doctor acompanha diariamente casos com maior risco de complicações infecciosas, atuando de forma integrada para garantir mais segurança no conforto do lar.

 

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