Do hospital ao Home Care: conheça as 5 etapas da desospitalização

A desospitalização é um dos pilares da atenção domiciliar, levando o paciente para um atendimento mais humanizado em casa. Por isso, veja como funciona esse processo.

31 de outubro de 2023
25 de janeiro de 2024
Home Doctor
10 minutos para ler
Do hospital ao Home Care: conheça as 5 etapas da desospitalização

O Home Care, ou Atenção Domiciliar (AD), é indicado a pacientes em condição de receber em casa cuidados de saúde, pois estão com um quadro clínico estável e já não precisam mais de todos os recursos hospitalares. Cabe à equipe médica determinar que o paciente se encontra em condições clínicas para desospitalização e para se beneficiar da continuidade do tratamento em domicílio, uma vez que o home care pode trazer muitas vantagens, tais como:

  • comodidade, qualidade de vida e segurança durante o tratamento doméstico;
  • recuperação mais rápida do paciente, que fica no conforto de casa e tem a companhia de familiares e amigos;
  • redução do risco de infecções e doenças associadas ao ambiente hospitalar.

O Home Care é sempre definido caso a caso – há pacientes que fazem somente sessões de fisioterapia ou necessitam de aplicação de medicamentos, por exemplo, enquanto outros passam por internações domiciliares com estrutura complexa. Mas existe um aspecto comum a todos eles: a desospitalização.

“O objetivo é garantir que a continuidade da assistência em casa seja compatível com as necessidades do paciente e que tudo aconteça com qualidade e segurança”, afirma a médica Priscila Melnik, Gerente de Captação Nacional da Home Doctor.

Usualmente, uma avaliação inicial feita ainda no hospital detecta as demandas específicas de quem está apto a ser transferido para o Home Care. A partir daí, elabora-se uma programação de atendimento, que prevê materiais, medicação, equipamentos ou equipe multidisciplinar indispensáveis à cada situação.

O Plano de Atendimento Domiciliar (PAD) precisa ser definido com cuidado, garantindo que todas as necessidades técnicas sejam providas. Se desenhado de forma inadequada, a assistência será insuficiente, havendo necessidade de ajustes posteriores e podendo gerar quebra de confiança”, explica Priscila Melnik.

“O processo de desospitalização envolve estes quatro pilares: hospital, operadora de saúde, empresa de Home Care e família do paciente. Tudo deve acontecer de forma integrada. Nenhum dos quatro consegue fazer nada sem participação dos demais. Todos precisam participar juntos e ativamente”, ressalta.

A seguir, você vai ler sobre os cinco passos da desospitalização:

  1. Definição de que o paciente está apto para o Home Care
  2. Avaliação do quadro clínico do paciente pela equipe de Home Care
  3. Definição do Plano de Atenção Domiciliar (PAD)
  4. Envio do relatório à operadora de saúde*
  5. Montagem da estrutura na casa do paciente

*Em casos custeados pela operadora de saúde

ETAPA 1: Definição de que o paciente está apto para o Home Care

  1. O processo começa com o pedido de desospitalização feito pelo médico assistente, que o envia à direção do hospital em que o paciente está internado.
  2. Em seguida, a operadora encaminha o caso para uma empresa de atenção domiciliar de sua rede credenciada, como a Home Doctor.

“Tudo tem início quando o médico – seja o particular, o assistente ou o que está no hospital – identifica que o paciente tem condição de finalizar o tratamento em casa”, afirma Priscila Melnik.

E quais são os critérios para definir se o paciente está apto a passar ao Home Care? São estes:

  • o paciente deve estar em condições clínicas estáveis;
  • ter a aprovação do médico que trata do paciente no hospital;
  • a família do paciente aceitar e colaborar com o tratamento;
  • contar com um cuidador apto (contratado ou familiar) em período integral;
  • e a residência ou local onde o paciente irá permanecer ter condições de segurança, acesso, espaço e higiene para instalação da estrutura que será utilizada para o tratamento ou para os cuidados, sejam simples ou complexos.

Quais são as principais indicações para o atendimento domiciliar?

  • término de terapia injetável;como antibióticos, por exemplo
  • realização de curativos complexos;
  • necessidade de aparelhos para suporte de vida;
  • necessidade de gerenciamento clínico de doenças crônicas nos casos em que há impeditivo para o acompanhamento em rede credenciada;
  • tratamento para processos infecciosos prolongados;
  • ou pacientes que precisam de cuidados paliativos.

Para ir para o Home Care, o paciente deve estar clinicamente estável, sem a necessidade de cuidados intensivos e intervenções médicas constantes. Por exemplo: não pode estar em uso de medicações contínuas de suporte à vida, de parâmetros ventilatórios elevados ou ter a necessidade de coleta diária de exames de sangue”, alerta Melnik.

“E vale o mesmo para um paciente de menor complexidade, que vai apenas terminar um antibiótico em casa. Para levá-lo para o Home Care, ele tem de estar com uma curva de febre descendente, num processo de melhora. Do contrário, corre-se o risco de o paciente entrar num quadro de deterioração clínica após ser levado para o Atendimento Domiciliar.”

ETAPA 2: Avaliação do paciente pela equipe de Home Care

Ao receber o comunicado da operadora de saúde, a empresa de Home Care analisa o pedido e faz contato com o hospital. Essa avaliação é feita por enfermeiros treinados, que analisam o prontuário e discutem o caso com a equipe assistencial para entender cinco pontos:

  1. Como o paciente estava antes da hospitalização.
  2. O que o levou a ser internado.
  3. O que aconteceu durante a hospitalização.
  4. Como o paciente estava no momento da indicação para o Home Care.
  5. Quais as necessidades de agora em diante.

A médica Priscila Melnik, da Home Doctor, faz uma ressalva:

“Infelizmente, o Home Care não é amplamente conhecido, em detalhes, pelas equipes dos hospitais. Muitas delas não sabem que tipo de atendimento pode ser feito na casa do paciente. É comum que possamos, no Home Care, fazer muito mais coisas do que a equipe do hospital imagina”.

“Tudo é avaliado: prescrição, prontuário, dispositivos que deverão ser mantidos em casa. Nós vemos se o paciente tem traqueostomia, gastrostomia, equipamento venoso, bomba de infusão, respirador mecânico, ou seja, tudo que ele está usando no hospital e que vai continuar usando no Home Care. Esta etapa 2 é crucial, uma das mais críticas”, diz a gerente de captação nacional da Home Doctor.

ETAPA 3: Definição do plano de atendimento domiciliar

O Plano de Atendimento Domiciliar (PAD) considera quatro aspectos centrais, que contemplam na íntegra as necessidades técnicas do Home Care:

  • necessidades técnicas atuais;
  • condição prévia do paciente (grau de dependência antes da internação);
  • possibilidade de reabilitação ou tratamento de manutenção;
  • e questões sociais do paciente.

Com relação a esse último item, levam-se em conta estes critérios:

  • validação do domicílio – verificar, por exemplo, a necessidade de alterações estruturais ou de rede elétrica, acessibilidade (escadas, rampas, espaço para uma cama hospitalar, se é um quadro de internação domiciliar), saneamento e cadastro preferencial no fornecedor de energia elétrica (no caso de uso de equipamentos de suporte respiratório);
  • validação do endereço – checar se é viável o acesso por profissionais de saúde e por ambulância, se a casa fica em uma área considerada de risco etc.
  • presença de cuidador em período integral (pode ser um familiar do paciente ou uma pessoa contratada) – há diferenças entre as atribuições do cuidador e as do profissional de enfermagem: o cuidador é responsável pela higiene, alimentação, companhia e bem-estar do paciente. Já a parte técnica fica apenas sob responsabilidade de um profissional capacitado e qualificado – é ele quem executa administração de medicamentos endovenosos, realiza curativos de maior complexidade, monitora e presta cuidados aos casos de ventilação mecânica ou de alta complexidade clínica.

ETAPA 4: Envio do relatório à operadora de saúde

Nesta etapa, a equipe de Home Care envia o relatório com o PAD à operadora de saúde. O documento traz tudo que foi alinhado com a equipe médica e o que foi conversado com a família do paciente – inclusive com sinalização das expectativas dessa família.

A operadora, então, depois de analisar o relatório, faz contato com a empresa de Home Care para informar, detalhadamente, sobre quais procedimentos foram autorizados.

“Se a família estiver de acordo com o que foi autorizado, seguimos para processo de implantação do PAD. Confirmamos com a equipe multiprofissional envolvida dia e horário da alta e início dos atendimentos, enviamos os insumos e equipamentos necessários, agendamos ambulância para remoção hospitalar quando há indicação”, afirma Priscila Melnik.

ETAPA 5: Montagem da estrutura na casa do paciente

A montagem do domicílio prevê envio dos materiais, medicamentos e equipamentos autorizados pela Operadora. Acontece desta forma tanto para o atendimento mais simples, como aplicações de antibióticos endovenosos, até os mais complexos, como a internação domiciliar com suporte de ventilação mecânica, por exemplo.

Há pacientes que não precisam de nenhuma montagem, pois vão fazer apenas sessões de fisioterapia. É o caso, por exemplo, de um idoso que teve fratura de fêmur, fez cirurgia, ficou internado por um período e agora já pode voltar para casa. Ele não necessita de medicamentos ou equipamentos – só de um fisioterapeuta em domicílio.

Outro exemplo de menor complexidade, é o caso de paciente que recebe alta para término de tratamento de Pneumonia com antibiótico em domicílio.. Além do profissional de enfermagem, será necessário envio de suporte de soro, medicamentos e materiais para aplicação.

“Mas há quadros mais complexos, como o de pacientes que estão internados no hospital com ventilação mecânica e agora vão passar por desospitalização. Precisamos mandar para a casa todos os equipamentos, materiais e mobiliários necessários para o atendimento de alta complexidade, como cama hospitalar, ventilador mecânico, cilindro de oxigênio, aspirador, bomba de infusão, sondas etc.”, lista Melnik.

“Não adianta o paciente chegar em casa e o aspirador estar dentro do armário. Por isso, enviamos um profissional para auxiliar a família a arrumar tudo. Para observar as tomadas que vão ser usadas, organizar os medicamentos. O Atendimento Domiciliar é muito amplo e existe uma série de etapas que devem ser cumpridas antes da chegada do paciente em domicílio, para que possamos garantir a segurança no atendimento.”, finaliza.

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