Entenda como identificar um paciente com risco de queda​ ​no home care e adotar cuidados

Quedas em idosos podem mudar, ou interromper, a vida em segundos — foram mais de 13 mil mortes em um ano, segundo o Ministério da Saúde. Mas muitos sinais de risco aparecem antes. Conheça-os para melhor prevenir as quedas em casa.

11 de junho de 2026
Home Doctor
9 minutos para ler
Detalhe dos pés de uma pessoa com espadrilhas coloridas sobre tapete redondo em ambiente doméstico.

Quase sempre, a queda parece acontecer “de repente”. Mas sinais no corpo, na rotina e dentro de casa costumam surgir antes do acidente. É essencial saber identificar os riscos de queda, já que essas ocorrências estão entre as principais causas de internação e complicações em idosos, segundo o Ministério da Saúde.

Dados da pasta divulgados pela Agência Brasil em 2025 mostram que, somente nos quatro primeiros meses do ano, cerca de 62 mil idosos precisaram ser internados após quedas. Outros 67 mil receberam atendimento ambulatorial. Em 2024, foram mais de 344 mil atendimentos ou hospitalizações relacionados a esse tipo de acidente, além de 13.385 mortes.

Por trás desses números, existem situações comuns do dia a dia: levantar rápido demais da cama, caminhar em ambientes escuros, usar um medicamento que causa tontura, tropeçar em um fio ou perder força muscular ao longo do envelhecimento.

Quais pacientes têm maior risco de queda?

Com o envelhecimento, o corpo passa por mudanças que comprometem equilíbrio, força muscular, mobilidade e reflexos. Quanto mais fatores se acumulam, maior é o risco de queda. São eles:

  • envelhecimento;
  • doenças crônicas como Parkinson e Acidente Vascular Cerebral (AVC);
  • uso de medicamentos;
  • sarcopenia (redução da força e da massa muscular ao longo da idade);
  • osteoporose, por enfraquecer os ossos;
  • artrose, que pode comprometer os movimentos, favorecendo tropeços e perda de estabilidade;
    alterações na visão;
  • reflexos mais lentos;
  • necessidade de levantar várias vezes durante a noite.

Por que a queda em idosos pode ser perigosa?

Por causa das consequências, que costumam ser mais críticas com o passar dos anos. Entre as mais frequentes estão fraturas, traumatismos, perda de mobilidade e internações prolongadas.

Elas, por sua vez, podem trazer suas próprias complicações. Por exemplo, algumas fraturas, como as que atingem quadril e fêmur, exigem recuperação mais longa, com o paciente acamado ou com pouca mobilidade. Isso aumenta o risco de trombose, infecções respiratórias e pneumonia — condições que podem evoluir de forma grave e aumentar o risco de morte.

Após a recuperação, muitos idosos passam a sentir medo de cair novamente, o que pode levar ao isolamento, à perda muscular e do equilíbrio.

5 sinais e fatores que indicam risco de queda em idosos

Algumas mudanças no corpo e na mobilidade podem indicar maior risco de queda. Observe se o paciente:

  • tem perda de força muscular: fraqueza nas pernas, dificuldade para subir degraus ou levantar da cadeira podem indicar perda muscular importante;
  • anda mais devagar: passos curtos, arrastados ou inseguros merecem atenção;
  • precisa se apoiar o tempo todo: segurar em móveis, paredes ou pessoas para caminhar pode indicar alteração de equilíbrio;
  • reclama de tontura ou sonolência: alguns medicamentos provocam tontura, queda de pressão e alterações de atenção;
  • caiu recentemente: uma queda anterior aumenta significativamente o risco de novos episódios;
  • não usa calçados adequados: andar apenas de meias ou usar chinelos soltos aumenta os riscos de quedas.

Como deve ser o calçado para diminuir o risco de queda?

Dê preferência a calçados firmes, fechados e presos ao calcanhar, como tênis ou papetes com solado antiderrapante.

Quais medicamentos aumentam o risco de queda?

Remédios para dormir, ansiedade, depressão, pressão alta e dores estão entre os que podem provocar sintomas importantes em alguns pacientes.

Isso porque, entre os efeitos mais comuns, estão:

  • tontura;
  • sonolência;
  • queda de pressão;
  • confusão mental;
  • alteração do equilíbrio.

Outro ponto de atenção é a combinação de diferentes remédios. O uso simultâneo de várias medicações aumenta o risco de interações e efeitos colaterais, especialmente em idosos mais frágeis.

A automedicação também merece cuidado. Analgésicos, relaxantes musculares e anti-inflamatórios usados por conta própria podem interferir em tratamentos já existentes e aumentar o risco de quedas.

Por isso, é importante informar ao médico todos os medicamentos utilizados no dia a dia — inclusive aqueles tomados sem receita ou considerados “simples”.

Como adaptar a casa para prevenir quedas em idosos?

Grande parte dos acidentes acontece dentro de casa, especialmente no quarto e no banheiro.
Segundo o Ministério da Saúde, pequenas adaptações ajudam na prevenção de quedas:

No quarto

  • Considere o uso de camas com grades de proteção para pacientes com maior risco de queda ou dificuldade de mobilidade;
  • Deixe uma lâmpada, lanterna e telefone próximos à cama;
  • Prefira armários com portas leves, maçanetas fáceis de abrir e boa iluminação interna;
  • Organize roupas e objetos de uso frequente em locais de fácil alcance, evitando prateleiras altas;
  • Use lençóis e acolchoados com tecidos menos escorregadios, como algodão e lã;
  • Evite objetos espalhados e mantenha o chão do quarto livre para circulação.

No banheiro

  • Coloque tapetes antiderrapantes próximos ao box e na área do banho;
  • Instale barras de apoio nas paredes do banheiro;
  • Substitua as paredes de vidro do box por um material não deslizante;
  • Prefira duchas móveis, que facilitam o banho;
  • Para pacientes com dificuldade de equilíbrio ou mobilidade reduzida, utilize cadeira higiênica tanto para o banho quanto para as necessidades no vaso sanitário.

Na sala e corredores

  • Organize os móveis de forma que o caminho de circulação fique livre;
  • Instale interruptores próximos às entradas dos ambientes para evitar deslocamentos no escuro;
  • Mantenha fios elétricos e cabos fora das áreas de passagem e nunca sob tapetes;
  • Prefira tapetes com base antiderrapante ou fixados com fita adesiva;
  • Evite cadeiras e sofás muito baixos. Dê preferência a assentos firmes, confortáveis e com braços de apoio.

Na cozinha

  • Retire tapetes que possam escorregar;
  • Limpe imediatamente líquidos, gordura ou alimentos derramados no chão;
  • Organize alimentos, louças e utensílios em locais de fácil acesso;
  • Verifique se estantes e armários estão bem fixados;
  • Oriente o paciente a não subir em cadeiras ou caixas para alcançar objetos em locais altos.

Nas escadas

  • Instale interruptores no início e no fim da escada ou utilize sensores de presença bem posicionados;
  • Coloque luzes de emergência e lanternas pela casa em caso de falta de energia;
  • Retire tapetes próximos aos degraus de subida e descida;
  • Utilize fitas antiderrapantes nos degraus;
  • Se houver carpete fixo, prefira modelos lisos para facilitar a visualização das bordas da escada;
  • Instale corrimãos em ambos os lados por toda a extensão da escada em uma altura de 76 centímetros acima dos degraus.

Quando procurar atendimento médico após uma queda?

Mesmo quedas aparentemente leves devem ser observadas com atenção.

Procure atendimento de emergência se o paciente apresentar:

  • perda de consciência;
  • suspeita de fratura;
  • confusão mental após a queda;
  • sonolência excessiva;
  • marcas roxas intensas;
  • dor persistente;
  • dificuldade para andar.

Caso o idoso seja acompanhado por profissionais de Atenção Domiciliar e a queda tenha acontecido fora dos plantões, avise-os assim que possível.

Exercício físico ajuda na prevenção de quedas em idosos?

Sim. A prática regular de atividade física ajuda a preservar força muscular, equilíbrio e mobilidade. Caminhadas, fisioterapia e exercícios de fortalecimento podem reduzir o risco de quedas, sempre respeitando as condições de saúde de cada paciente.

É normal o idoso cair?

Apesar de comuns, as quedas em idosos não são normais.

Quedas têm causas, fatores de risco e formas de prevenção.

Observar mudanças físicas, revisar medicamentos e adaptar o ambiente doméstico pode evitar acidentes graves e preservar a autonomia por mais tempo.

Além do apoio da família e dos cuidadores, é importante que o próprio idoso reconheça os riscos e participe das medidas de prevenção no dia a dia.

Como o Home Care pode ajudar na prevenção de quedas e na recuperação?

No atendimento domiciliar, diferentes profissionais atuam de forma integrada para reduzir os riscos de quedas e ajudar na recuperação do paciente.

A equipe pode identificar alterações de mobilidade, perda de força muscular, dificuldades de equilíbrio, uso inadequado de medicamentos e até pontos de risco dentro da própria casa.

Fisioterapeutas ajudam na reabilitação, no fortalecimento muscular e nos exercícios de equilíbrio. Já nutricionistas avaliam fatores que podem impactar força, massa muscular e recuperação.

Após uma queda, o acompanhamento em casa também contribui para recuperar movimentos, estimular a autonomia e reduzir o medo de novos acidentes. Dependendo da necessidade do paciente, o cuidado pode incluir apoio psicológico e o uso de dispositivos de auxílio à mobilidade.

A Home Doctor, com mais de 30 anos de experiência, oferece acompanhamento profissional e orientação contínua, tanto para evitar quedas quanto para tornar a recuperação mais segura, confortável e individualizada dentro de casa.

Saiba mais sobre os serviços de fisioterapia, reabilitação e cuidados domiciliares da Home Doctor em: https://store.homedoctor.com.br/fisioterapia

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