O que é disfagia? Conheça os sintomas e saiba como tratar esse problema

É preciso conhecer os sintomas de disfagia para identificar riscos maiores nos pacientes. Conheça os sinais de alerta, o que causa esse problema e como tratar.

5 de fevereiro de 2026
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9 minutos para ler
Pessoa idosa sendo assistida durante refeição, com pratos adaptados sobre a mesa.

Estima-se que a disfagia, definida pela dificuldade de engolir alimentos, líquidos, comprimidos ou até a própria saliva, atinja entre 2,3% e 22% dos adultos no País, segundo um estudo publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. Esse número cresce com a idade: cerca de 16% das pessoas entre 70 e 79 anos apresentam essa condição, proporção que chega a 33% entre aqueles com 80 anos ou mais.

Idosos, pessoas que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou com condições neurológicas podem apresentar desde sintomas importantes ou até sutis. Porém, mesmo os sintomas leves são um alerta e podem trazer riscos, já que o indivíduo pode se acostumar com uma dificuldade que, em situações normais, não deveria acontecer.

Consequências da disfagia

Além da dificuldade para se alimentar, a disfagia traz outras complicações importantes:

  • em adultos, é comum a perda de peso e, em casos mais graves, a desnutrição, já que muitas pessoas passam a restringir alimentos que têm dificuldade de engolir;
  • em crianças, isso pode se manifestar como dificuldade para ganhar peso;
  • também é frequente o risco de desidratação, pois a ingestão de líquidos tende a diminuir quando há tosse, engasgos ou sensação de que “a água não desce direito”;
  • em qualquer idade, o acúmulo de secreções, a necessidade de múltiplas aspirações e pneumonias repetidas são sinais de alerta importantes, sobretudo quando acompanhados de engasgos ou tosse após as refeições.

Por isso, é imprescindível saber identificar os sinais de disfagia, tanto em si quanto nas pessoas ao redor.

Por que ocorre a disfagia?

As doenças neurológicas estão entre as causas mais frequentes da disfagia. Um AVC, por exemplo, pode comprometer o controle dos músculos responsáveis por engolir. O mesmo pode ocorrer em condições progressivas como Parkinson e Alzheimer, que afetam gradualmente a coordenação e a força.

O envelhecimento também entra nessa história: com o passar do tempo, a musculatura envolvida na deglutição tende a perder força e precisão. O que antes era automático pode se tornar mais lento, exigindo atenção redobrada.

Seja qual for a causa, o corpo costuma dar pistas de que algo não vai bem. Reconhecê-las é fundamental.

Quais são os sintomas da disfagia?

Engasgos ou tosse ao se alimentar e/ou ao beber líquidos, ou aquela sensação incômoda de que o alimento “fica parado” no caminho após engolir, sinalizam que o processo de deglutição pode ter perdido a eficiência.

Além desses, são sintomas comuns:

  • acúmulo de saliva ou alimento na boca;
  • escape de alimento, líquido ou saliva pelos lábios;
  • entrada de alimento/líquido para o nariz;
  • voz “borbulhante”, indicando que há resíduos líquidos ou alimentos na laringe;
  • tempo prolongado de refeição (mais de 40 minutos);
  • alteração da respiração, sudorese, cianose e/ou lacrimejamento durante a deglutição.

A tosse é uma defesa do organismo quando há entrada de corpo estranho nas vias aéreas inferiores (traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos). Engasgos não podem ser normalizados, especialmente se acontecem com frequência, e pedem avaliação de um médico e/ou fonoaudiólogo.

Qual profissional de saúde cuida da disfagia?

Como a dificuldade de engolir pode ter diferentes causas, o manejo é multidisciplinar. Na prática, o profissional de fonoaudiologia é o especialista envolvido mais diretamente no diagnóstico e na reabilitação da deglutição.

Ele orienta qual consistência de alimento é segura, prescreve exercícios para fortalecer os músculos da boca, língua e garganta e ensina manobras e posturas que ajudam o alimento a seguir o caminho correto.

Quando há necessidade de ajustar a consistência da dieta, o cuidado é complementado pelo nutricionista, que define o cardápio e as preparações mais adequadas para garantir segurança, hidratação e nutrição.

Nos quadros mais graves, quando a alimentação pela boca não é segura, pode ser indicada a instalação de sonda.

O protocolo de tratamento costuma reunir também médicos, enfermeiros, otorrinolaringologistas, fisioterapeutas, psicólogos e odontologistas. No fim, o objetivo é proteger a respiração, a nutrição e a hidratação por meio de várias frentes.

O que pode comer uma pessoa que tem dificuldade para engolir?

Quem vive com disfagia pode ter algumas restrições no cardápio. A alimentação precisa ser adaptada em textura e consistência para tornar a deglutição mais segura e evitar engasgos, com ajustes que variam conforme a gravidade do quadro.

Entre as estratégias mais comuns está o espessamento de líquidos — como água, sucos, chás ou caldos — já que as consistências muito fluidas costumam ser as mais difíceis de controlar na cavidade oral ao engolir. Esse espessamento pode ser feito com alimentos (uso de vitaminas e sucos mais grossos, além de uso de amido de milho e/ou goma xantana) ou com espessantes industrializados, que mantêm sabor e hidratação.

Sólidos também podem exigir mais esforço para engolir e, quando há dificuldade, é possível recorrer a preparações com textura mais macia e homogênea, que exigem menos força de mastigação e facilitam a passagem do alimento.

Nesse caso, o ideal é adaptar as refeições para consistências amolecidas ou pastosas, sempre conforme orientação do profissional.

Alguns exemplos de preparações que costumam apresentar texturas mais fáceis de engolir incluem:

  • mingaus preparados com amido de milho, aveia ou creme de arroz;
  • purês de vegetais (como batata, batata-doce ou cenoura);
  • frutas em forma de purê ou sucos coados;
  • lácteos com textura macia, como iogurte batido ou queijos facilmente amassados;
  • carnes e peixes desfiados finamente ou preparados em forma de patês;
  • ovos em preparações mais úmidas, como mexidos;
  • sobremesas com textura lisa, como pudins ou geleias.

O que fazer enquanto os sintomas da disfagia acontecem?

Se, durante a alimentação, a pessoa começar a tossir, engasgar ou demonstrar dificuldade para engolir, o mais importante é interromper imediatamente a ingestão do alimento ou líquido. Não insista para que ela continue, pois isso pode aumentar o risco de o conteúdo ser aspirado para vias aéreas e ir para o pulmão.

Peça para a pessoa permanecer sentada, com o tronco ereto. Incentive-a a tossir de forma espontânea: muitas vezes, essa ação ajuda a remover o alimento que ficou no “caminho errado”. Se estiver confortável, ela pode tentar engolir novamente, de forma calma, após a tosse.

Não ofereça água para “ajudar a descer” e não force a ingestão de mais alimentos. Se a pessoa apresentar sinais de falta de ar importante, pele arroxeada ou incapacidade de tossir ou falar, acione imediatamente o serviço de emergência e inicie a manobra de Heimlich.

Como fazer a manobra de Heimlich?

Essa manobra deve ser feita apenas se a pessoa estiver consciente e não conseguir tossir ou falar. Veja o passo a passo:

  1. fique atrás da pessoa e coloque os braços em volta da boca do estômago;
  2. feche uma mão em punho e segure a pessoa firmemente com a outra mão;
  3. coloque o lado do polegar do punho logo abaixo da caixa torácica e cerca de cinco centímetros acima do umbigo;
  4. empurre as mãos para dentro e para cima de forma rápida e vigorosa cinco vezes;
  5. repita esse processo até liberar o objeto preso ou até que a pessoa fique inconsciente. Em caso de inconsciência, inicie uma massagem cardíaca enquanto aguarda o serviço de emergência chegar.

Este vídeo do Ministério da Saúde mostra o passo a passo para adultos, clique e confira.

Nos pequenos, o passo a passo é diferente. Veja neste outro vídeo do Ministério da Saúde como fazer a manobra de Heimlich em crianças. Lembrando que ela deve estar acordada.

Como evitar ou reduzir os riscos das complicações da disfagia?

A principal preocupação de quem tem dificuldade para engolir são as complicações pela entrada de alimento/líquido/saliva no pulmão, o que impacta as condições pulmonares. Algumas medidas podem ajudar a tornar a alimentação mais segura e reduzir o risco de engasgos. As dicas valem para todos, até mesmo quem não tem a condição:

  • alimentar-se somente se acordado e alerta;
  • alimentar-se sempre sentado ou com decúbito elevado em 45 graus, mantendo a cabeça reta;
  • comer devagar, em pequenas porções;
  • seguir a dieta recomendada pelo fonoaudiólogo e nutricionista;
  • repetir o movimento de engolir quantas vezes forem necessárias se houver sensação de alimento parado na garganta;
  • evitar distrações durante as refeições;
  • evitar alimentos de difícil manejo, como grãos, pipoca e itens duros ou secos;
  • consumir líquidos em pequenos goles;
  • garantir que próteses dentárias estejam bem adaptadas;
  • para comprimidos, ingerir um por vez; confirmar com médico ou farmacêutico se podem ser macerados ou tomados com alimentos cremosos.

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